A surpreendente missão que Padre Pio confiou ao seu anjo da guarda em 1912

Muito além dos fenômenos extraordinários associados à sua vida, Padre Pio carregava no coração um profundo amor por Nossa Senhora e um desejo incansável de conduzir almas até Jesus.

Como sabia que humanamente isso era impossível, confiou ao seu anjo da guarda uma missão extraordinária: levar às almas o convite para amar Nossa Senhora.

Em uma carta dirigida ao Padre Agostino, datada de 1º de maio de 1912, Padre Pio revelou um desejo profundo de seu coração.

Ele escreveu que gostaria de possuir uma voz tão poderosa que pudesse alcançar os pecadores de toda a terra e convidá-los a amar a Virgem Maria. Reconhecendo, porém, que isso ultrapassava suas forças humanas, afirmou que havia pedido ao seu anjo da guarda que realizasse essa missão em seu lugar.

Essas palavras não devem ser lidas apenas como um detalhe comovente de sua correspondência.

Elas revelam algo essencial sobre sua espiritualidade.

Por trás do sacerdote conhecido pelos estigmas, pelas longas horas no confessionário, pelos relatos extraordinários associados à sua vida e por sua intensa união com Cristo, existia um filho profundamente apaixonado pela Mãe de Deus.

MARIA ESTAVA NO CORAÇÃO DE SUA VIDA ESPIRITUAL

Muitas pessoas se aproximam da história de Padre Pio atraídas inicialmente pelos acontecimentos extraordinários que marcaram sua existência.

Fala-se de seus sofrimentos, dos estigmas, dos fenômenos místicos, das conversões e dos inúmeros testemunhos ligados ao seu ministério sacerdotal.

Entretanto, quando nos aproximamos de suas cartas e de sua vida interior, encontramos algo ainda mais profundo.

Padre Pio era um verdadeiro filho de Maria.

Desde os anos de sua juventude em Pietrelcina até sua longa permanência em San Giovanni Rotondo, Nossa Senhora ocupou um lugar privilegiado em sua espiritualidade.

Ele se dirigia a Ela com a familiaridade e a confiança de uma criança que sabe que pode recorrer à própria mãe.

Em diferentes momentos, referia-se à Virgem Maria com expressões de grande ternura, chamando-a de sua Mãe do Céu.

Para Padre Pio, Maria não era uma figura distante.

Era presença.

Era auxílio.

Era consolo.

Era caminho seguro para Jesus.

E havia ainda algo que o tocava profundamente: os sofrimentos da Virgem Santíssima.

Padre Pio contemplava Maria aos pés da Cruz e reconhecia nela aquela Mãe que permaneceu fiel mesmo diante da dor mais profunda.

AMAR NOSSA SENHORA SIGNIFICA TAMBÉM IMITÁ-LA

A devoção mariana de Padre Pio nunca foi apenas sentimental.

Ela exigia transformação de vida.

Na espiritualidade católica, amar a Virgem Maria não significa simplesmente repetir belas orações ou conservar imagens e medalhas.

Esses sinais possuem grande valor quando conduzem o coração para Deus.

Mas a verdadeira devoção precisa produzir frutos.

Padre Pio compreendia isso claramente.

Em uma carta escrita ao Padre Agostino em julho de 1915, ele apresentou Maria como aquela que viveu o Evangelho com perfeição, antes mesmo que os textos evangélicos fossem plenamente anunciados ao mundo.

Maria viveu a vontade de Deus.

Aceitou o chamado divino.

Permaneceu humilde.

Guardou a fé.

Enfrentou o sofrimento.

Permaneceu ao lado de Cristo.

Por isso, para Padre Pio, honrar Nossa Senhora significava desejar caminhar segundo o exemplo dela.

Não basta pronunciar o nome de Maria.

É preciso aprender com Maria.

Não basta carregar um terço.

É preciso permitir que o terço transforme o coração.

Não basta pedir sua proteção.

É preciso também procurar viver como um verdadeiro filho dela.

Ser mais humilde.

Mais fiel.

Mais puro de coração.

Mais caridoso.

Mais obediente a Deus.

Mais disposto a permanecer com Cristo também nos momentos de dificuldade.

MARIA RAINHA E A REALEZA QUE CONDUZ A CRISTO

A Igreja celebra Nossa Senhora Rainha em 22 de agosto, poucos dias depois da solenidade da Assunção.

Esse título não pretende afastar Maria de nós.

Ao contrário.

Recorda a dignidade daquela que foi escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo, Rei do Universo.

Sua realeza está inteiramente ligada ao Filho.

Maria nunca chama a atenção para si mesma como destino final da fé.

Ela sempre conduz a Jesus.

Foi assim em Caná.

Foi assim ao longo de toda a sua vida.

E continua sendo assim na espiritualidade da Igreja.

Quando um cristão aprende a amar verdadeiramente Nossa Senhora, esse amor deve levá-lo a uma união cada vez mais profunda com Cristo.

Essa também era a convicção de Padre Pio.

Por isso ele desejava tanto que os pecadores conhecessem e amassem Maria.

Ele sabia que uma alma conduzida pela mão da Mãe encontraria mais facilmente o caminho para o Filho.
O GRANDE DRAMA DAS ALMAS QUE SE AFASTAM DE DEUS

Talvez possamos compreender melhor o desejo de Padre Pio quando recordamos quanto ele se preocupava com a salvação das almas.

Para ele, nenhuma pessoa era insignificante.

Nenhuma conversão era pequena.

Nenhuma confissão sincera era inútil.

Nenhuma oração oferecida por um pecador era desperdiçada.

Durante sua vida sacerdotal, Padre Pio dedicou incontáveis horas ao sacramento da Reconciliação.

Multidões viajavam até San Giovanni Rotondo para confessar-se com ele.

Muitas vezes, isso significava longos períodos de cansaço físico e intensa dedicação pastoral.

Por quê?

Porque Padre Pio sabia que uma alma reconciliada com Deus possui um valor que não pode ser medido pelos critérios deste mundo.

Uma confissão sincera pode mudar uma vida.

Uma comunhão recebida com fé pode fortalecer uma alma.

Uma Ave-Maria rezada com confiança pode ser o começo de uma conversão.

Uma palavra pronunciada no momento certo pode reacender a esperança de alguém.

Era assim que ele compreendia o apostolado.

Não necessariamente por grandes discursos.

Mas por fidelidade.

E ONDE ESTÃO OS FILHOS DE MARIA?

Essa pergunta também deve ser dirigida a nós.

Vivemos em uma sociedade em que muitas pessoas já não conhecem a fé cristã ou se afastaram dela.

Outras carregam feridas profundas.

Algumas perderam a esperança.

Muitas vivem sem conhecer a beleza da oração, da confissão, da Eucaristia e da presença materna de Nossa Senhora.

Diante disso, o cristão pode escolher permanecer indiferente.

Ou pode compreender que também recebeu uma missão.

Padre Pio não possuía internet.

Não possuía redes sociais.

Não podia falar simultaneamente a milhões de pessoas.

E ainda assim desejava que sua voz chegasse aos pecadores do mundo inteiro.

Hoje, uma palavra de fé pode atravessar continentes em segundos.

Uma oração pode ser compartilhada.

Uma imagem de Nossa Senhora pode chegar a alguém que está sofrendo.

Um testemunho pode despertar uma pessoa que há anos não entra em uma igreja.

Um vídeo pode fazer alguém voltar a rezar.

Uma frase de Padre Pio pode tocar um coração exatamente no momento em que aquela pessoa pensava em desistir.

Talvez nunca saibamos quantas almas Deus pode alcançar através de uma pequena atitude realizada com amor.

UMA IMAGEM QUE PODE NOS FAZER REFLETIR

Imaginemos uma grande rainha.

Ela é boa, misericordiosa e profundamente dedicada aos seus filhos.

Seu reino, porém, atravessa tempos difíceis.

Muitos já não reconhecem sua autoridade.

Outros se esqueceram dela.

Alguns a rejeitam.

Outros simplesmente permanecem indiferentes.

Mesmo assim, a Rainha não abandona seus filhos.

Ela permanece.

Espera.

Intercede.

Chama.

Conduz.

E talvez a pergunta dirigida aos seus filhos não seja:

“Vocês são capazes de realizar coisas grandiosas?”

Talvez seja simplesmente:

“Vocês permanecerão fiéis?”

Porque a fidelidade aparentemente pequena de uma alma pode produzir frutos que somente Deus conhece.

NÃO É NECESSÁRIO FAZER ALGO EXTRAORDINÁRIO

Uma das grandes lições da espiritualidade de Padre Pio é justamente esta:

Deus pode realizar muito através de coisas simples.

Rezar uma Ave-Maria com atenção.

Oferecer um terço por alguém.

Voltar ao sacramento da Confissão.

Participar da Santa Missa com maior devoção.

Rezar com os filhos.

Ensinar uma criança a fazer o sinal da cruz.

Levar uma imagem de Nossa Senhora a alguém enfermo.

Consolar uma pessoa que perdeu a esperança.

Compartilhar uma oração com quem precisa.

Falar de Deus sem agressividade, mas sem vergonha.

Nossa Senhora não precisa de gestos espetaculares.

Ela deseja filhos fiéis.

E uma das frases mais conhecidas atribuídas a Padre Pio resume de maneira belíssima essa missão:

“Amai Nossa Senhora e fazei-a amar.”

Poucas palavras.

Uma missão para a vida inteira.

Amar Maria.

Fazer Maria ser conhecida.

E, através dela, conduzir corações para Jesus Cristo.

Esse foi um dos grandes desejos de Padre Pio.

E também pode ser o nosso.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA COM A INTERCESSÃO DE PADRE PIO

Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe e nossa Rainha, voltai vosso olhar misericordioso para nós.

Ajudai-nos a permanecer fiéis a Jesus Cristo mesmo quando a fé se torna difícil.

Protegei nossas famílias, nossos filhos e todos aqueles que amamos.

Alcançai de Deus a conversão dos pecadores, o consolo dos aflitos, a perseverança dos que lutam e o retorno daqueles que se afastaram da fé.

Ensinai-nos a amar Jesus como vós O amastes.

Ensinai-nos a confiar como vós confiastes.

Ensinai-nos a permanecer junto à Cruz como vós permanecestes.

Fazei de nossa vida um pequeno instrumento nas mãos de Deus.

Que, seguindo o exemplo de São Padre Pio, possamos amar-vos cada vez mais e ajudar outras pessoas a descobrir vosso amor materno.

Conduzi todas as almas ao vosso Filho Jesus.

Nossa Senhora, Rainha do Céu e da Terra, rogai por nós.

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós.

Amém.