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No inverno do ano 2000, em uma pequena cidade da Itália marcada pela presença de um santo, uma mãe viveu uma das maiores dores que um coração humano pode enfrentar.
Em uma cama de UTI da Casa Sollievo della Sofferenza, hospital fundado por Padre Pio, um menino de apenas sete anos lutava contra uma doença devastadora. A medicina havia chegado ao seu limite. Os médicos já não tinham respostas. Restava apenas a esperança que nasce da fé.
E foi justamente naquele momento, quando todas as forças humanas pareciam ter se esgotado, que a providência divina manifestou um sinal por meio da intercessão de Padre Pio. Esta é a história de Matteo Pio Colella, a criança cuja cura foi reconhecida pela Igreja Católica como um milagre atribuído à intercessão do humilde frade capuchinho que anos depois seria proclamado santo.
Era 20 de janeiro de 2000. Matteo vivia com sua família em San Giovanni Rotondo, a mesma cidade onde Padre Pio passou grande parte de sua vida de oração, onde confessou milhares de pessoas e onde seu corpo repousa até hoje.
Naquela manhã, o menino apresentou os primeiros sinais de uma enfermidade comum: febre e dor de cabeça.
Nada parecia indicar a gravidade do que estava por acontecer. Seu pai era médico, e um pediatra próximo à família também não enxergava inicialmente motivo para preocupação.
Mas, ao longo do dia, a situação mudou rapidamente. A febre aumentou. O menino ficou desorientado. Quando sua mãe, Maria Lucia, aproximou-se para desejar boa noite, percebeu algo que jamais esqueceria: seu filho não a reconhecia.
Ao afastar a gola do pijama, viu manchas roxas surgindo pelo pescoço e pelo tórax.
O coração de mãe percebeu antes mesmo das palavras.
Era um sinal de algo grave. O diagnóstico veio rapidamente: meningite bacteriana fulminante. Matteo foi levado às pressas para a Casa Sollievo della Sofferenza, o hospital que Padre Pio havia fundado com o desejo de aliviar o sofrimento dos enfermos.
A doença avançava de maneira assustadora. A meningite comprometeu diversos órgãos. Vieram o choque séptico, problemas respiratórios, falência renal e alterações graves na coagulação. Matteo foi levado ao CTI e colocado em coma. Enquanto os médicos utilizavam todos os recursos disponíveis, sua mãe se agarrou àquilo que jamais falha: a oração.
Sem poder permanecer ao lado do filho, Maria Lucia repetia:
“Jesus, Maria e Padre Pio, ajudai-nos. Não nos abandoneis.”
Seu coração de mãe buscou refúgio diante daquele que tantas vezes havia consolado os aflitos. Ela pediu para rezar na cela onde Padre Pio havia vivido. Anos antes, naquele mesmo lugar, havia pedido a bênção do frade para sua família que começava.
Agora, retornava com lágrimas nos olhos, entregando novamente tudo nas mãos de Deus.
Durante uma noite de oração diante do túmulo de Padre Pio, junto aos frades do convento, Maria Lucia entregou sua angústia em um rosário. Com os olhos fechados e a cabeça apoiada sobre o mármore frio, ela teve uma experiência interior que jamais esqueceria.
Ela viu, como em uma visão espiritual, um frade próximo à cama de uma criança doente.
Esse frade segurava a mão do menino e o ajudava a se levantar.
A cena durou apenas alguns instantes. Quando abriu os olhos, tudo havia desaparecido.
Mas permaneceu em seu coração uma certeza silenciosa: Deus estava cuidando de Matteo.
Os dias passaram lentamente. Matteo permanecia em coma. A família chorava e rezava sem cessar. Foi então que Maria Lucia e seu esposo procuraram Frei Modestino, um filho espiritual de Padre Pio, conhecido por sua profunda vida de oração.
Diante daquele sofrimento, o velho frade segurou um crucifixo que havia recebido das próprias mãos de Padre Pio, pediu aos pais que o beijassem e elevou uma oração ao santo:
“Padre Pio, reza pelo Matteo. Que este milagre sirva para levar-te aos altares.”
Depois, olhando para os pais, disse:
“Eu acredito que Matteo ficará curado e levará Padre Pio aos altares.”
Naquele momento, humanamente falando, não havia esperança.
Mas para Deus, nenhuma situação está perdida.
A condição de Matteo continuava piorando. Seus batimentos estavam fracos. A pressão arterial já não podia ser medida. O quadro parecia irreversível.
Diante daquela situação, um médico disse:
“Podemos tentar qualquer coisa… mas agora Padre Pio precisa colocar as mãos.”
Foi feita uma tentativa extrema de tratamento, mas nada parecia produzir resultado.
E então aconteceu algo inesperado. Sem uma explicação médica capaz de justificar o acontecimento, Matteo começou a reagir.
A vida começou novamente a vencer.
No dia 31 de janeiro, depois de dias em coma, Matteo abriu os olhos. Ele reconhecia as pessoas. Ainda com dificuldades, começou a repetir o nome de Padre Pio.
Sua mãe colocou uma imagem do santo em sua mão. Depois de recuperar parcialmente a fala, Matteo contou algo impressionante. Disse que, durante o coma, havia visto a si mesmo acompanhado por um senhor de cabelos brancos, usando um hábito marrom.
Esse homem segurava sua mão e dizia para ele não ter medo, pois ficaria curado.
Então Maria Lucia mostrou uma fotografia de Padre Pio ao filho.
Matteo olhou para a imagem e, emocionado, disse:
“É ele, mamãe. É Padre Pio. Era Padre Pio que estava perto de mim.”
O menino também contou ter visto três anjos luminosos próximos à sua cama.
No dia 26 de fevereiro de 2000, apenas um mês após o início daquela terrível enfermidade, Matteo recebeu alta hospitalar.
Completamente curado. Sem sequelas. Os médicos que acompanharam o caso analisaram cuidadosamente todos os exames e documentos. A recuperação repentina diante de um quadro tão grave não encontrava explicação científica. Após uma investigação rigorosa, a Igreja reconheceu oficialmente a cura como um milagre atribuído à intercessão de Padre Pio. O caminho para a canonização estava aberto.
Em 16 de junho de 2002, São João Paulo II proclamou Padre Pio como santo diante de uma multidão de fiéis reunidos na Praça de São Pedro.
A profecia de Frei Modestino havia se cumprido.
Matteo realmente havia levado Padre Pio aos altares.
A história de Matteo Pio Colella permanece como um testemunho de esperança para todos aqueles que enfrentam momentos de sofrimento. Ela recorda que, mesmo quando os recursos humanos chegam ao limite, Deus continua agindo de maneiras que muitas vezes ultrapassam nossa compreensão.
Padre Pio dizia:
“Não tenhas medo. Não estás sozinho na tua agonia.”
A mesma mão que segurou Matteo naquela cama de UTI continua sendo apresentada em oração a todos aqueles que buscam consolo, cura e esperança.
Porque para Deus, nenhum sofrimento é esquecido.
E nenhuma oração feita com fé é perdida.