
Acesse o menu de forma rápida aqui ao lado
Nossa Senhora das Dores revela uma verdade profunda que o homem moderno tenta a todo custo esconder: o sofrimento não é a ausência do amor de Deus; antes, é um misterioso e fecundo caminho de santificação.
Vivemos dias em que, tragicamente, quase ninguém aceita padecer. As almas anseiam por alívios passageiros, exigem de Deus respostas imediatas e buscam uma fé cômoda, esvaziada de sacrifícios. Contudo, o Altíssimo, ao escolher a Santíssima Virgem Maria para ser a Mãe do Salvador, não Lhe reservou uma vida de facilidades terrenas. Ao contrário, deu-Lhe uma espada transpassando-Lhe a alma (Lc 2, 35). E esta verdade muda tudo em nossa caminhada espiritual.
Muitos caem na ilusão de que ser amado por Deus significa ser poupado da dor. Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa, prova cabalmente o contrário. A criatura mais amada, mais pura e mais elevada aos olhos do Céu foi também Aquela que sofreu de modo singular, inefável. Sua dor não se iniciou apenas no alto do Calvário. Começou com o Seu generoso e humilde "Sim" na Anunciação, pois receber em Seu ventre o Verbo Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo, era também abraçar o pesadíssimo fardo da Redenção. Maria Santíssima não recebeu uma missão leve; Ela recebeu a Cruz em indissolúvel união com Seu Divino Filho.
A venerável tradição da nossa Santa Mãe Igreja nos apresenta as Sete Dores de Nossa Senhora para nos evidenciar como a Sua alma puríssima participou profundamente do mistério redentor. A Mãe Dolorosa nos ensina, de maneira sublime, que a dor, quando unida ao sofrimento de Nosso Senhor, não destrói a alma, mas a purifica, a amadurece e, pela graça, colabora na obra da salvação.
Como o próprio São Pio de Pietrelcina tão bem viveu e ensinou, o sofrimento é o altar onde a alma se oferece a Deus. A vida cristã verdadeira nunca foi uma promessa de conforto. Seguir a Cristo é tomar a própria cruz diariamente, suportar as contradições do mundo e permanecer inabalável nas provações.
A dor, quando aceita com fé e resignação cristã, corta as amarras da nossa vaidade, vence a nossa infantilidade espiritual e ensina a alma a depender inteiramente da Divina Providência. Sem a cruz, a nossa fé se enfraquece. Sem a cruz, a virtude não cria raízes profundas no coração. Sem a cruz, o homem permanece raso na vida do espírito.
Contemplar Nossa Senhora ao pé da Cruz, de pé e inabalável em Sua fé (Stabat Mater), é recordar que não nascemos para vivermos anestesiados pelos prazeres deste mundo. Nascemos para amar a Deus até as últimas consequências. A Virgem Maria não nos consola para nos adormecer na mornidão; Ela nos consola para nos levantar e nos guiar à fidelidade heróica. Ela nos consola para conduzir as nossas almas diretamente ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sua dor compassiva é, acima de tudo, um chamado veemente à nossa própria conversão.
Graças a Deus, há almas devotas que já respondem a este chamado, buscando viver esta entrega total e incondicional em união com Nossa Senhora nas cruzes de cada dia.
O primeiro passo é renunciarmos à tentação de medir o amor de Deus pela ausência de dificuldades. Depois, a exemplo do Padre Pio e dos santos, devemos oferecer o nosso sofrimento a Deus com extrema humildade, sem nos deixarmos levar pela revolta ou pelo veneno da murmuração. Com o auxílio de Nossa Senhora, a cruz deixa de ser um "escândalo" e passa a ser, verdadeiramente, o nosso caminho para o Céu.
Ó, Nossa Senhora das Dores, compassiva Mãe, ensinai-nos a não fugir da cruz que o Senhor nos preparou. Dai-nos firmeza e constância nas provações, fidelidade inquebrantável em meio à dor, e a coragem necessária para seguir e amar a Nosso Senhor Jesus Cristo até o fim de nossos dias. Amém.