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Padre Pietro de Ischitella

O Provincial atestou a gravidade extrema dos estigmas: as chagas nas mãos de Padre Pio eram tão profundas que era possível ver a luz e objetos através delas, com um sangramento que seria fatal para uma pessoa normal.

Para proteger o convento de falsas acusações, ele impôs regras severas contra jornalistas e o comércio de relíquias. Suportando um estresse insuportável na administração do caso, faleceu repentinamente.
Padre Pietro de Ischitella, nascido Domenico Paradiso em 23 de dezembro de 1879, vestiu o hábito capuchinho em 2 de julho de 1895 e foi ordenado sacerdote em 10 de maio de 1903. A sua vida tomou um rumo exaustivo quando, em 5 de julho de 1919, foi eleito Ministro Provincial.
Esta não foi uma substituição comum: ele assumiu o cargo no exato momento em que o "caso Padre Pio" explodia na imprensa mundial e o seu antecessor, Padre Benedetto, começava a sofrer sanções do Santo Ofício por sua proximidade com o estigmatizado. Logo nos primeiros dias, Padre Pietro percebeu a dimensão da crise e fez questão de defender publicamente a seriedade de Padre Benedetto, atestando que o antigo superior havia feito de tudo para evitar a publicidade nefasta, proibindo entrevistas e ocultando as fotografias reais do santo.
Ao tomar as rédeas da província, Padre Pietro descobriu que a situação em San Giovanni Rotondo estava fora de controle. O convento era alvo de cartas anônimas enviadas a Roma, com acusações graves que insinuavam comércio ilícito de relíquias e amizades pouco claras entre os religiosos e os leigos. Para conter o fanatismo e proteger a reputação da Ordem, ele reuniu seus conselheiros e, em 30 de setembro de 1919, baixou um rigoroso plano de ação.
As novas regras eram drásticas: a igreja e a portaria deveriam ser trancadas ao toque das Ave-Marias; jornalistas e fotógrafos estavam terminantemente proibidos de se aproximar; e os frades foram proibidos de fazer perguntas imprudentes ao estigmatizado ou de subtrair seus objetos pessoais para distribuir como relíquias. A única permissão concedida aos fiéis era receber pequenas imagens com pensamentos escritos por Padre Pio.
Além de administrador firme, Padre Pietro tornou-se um guardião da verdade diante das autoridades. Em novembro de 1919, ele escreveu a Padre Eduardo d'Alençon relatando o seu alívio pelo fato de a imprensa católica italiana ter mantido silêncio, evitando que pessoas incompetentes julgassem o mistério. Nessa mesma correspondência, ele destacou que havia três relatórios minuciosos feitos por cientistas concordando que a ciência era incapaz de explicar o fenômeno dos estigmas.
O próprio Provincial foi uma testemunha ocular incontestável. Ele declarou formalmente que estava disposto a jurar, perante qualquer autoridade, que as chagas de Padre Pio não eram superficiais. Segundo o seu testemunho impressionante, ao fixar o olhar nas palmas das mãos do santo, era possível ver através das feridas, enxergando objetos colocados do outro lado, e o fluxo constante de sangue era tão severo que mataria um homem comum por hemorragia.
O peso de governar a província no epicentro de uma das maiores crises midiáticas e eclesiásticas do século XX cobrou um preço fatal. Consumido pelas tensões diárias, pelas exigências do Santo Ofício e pela pressão do fanatismo popular, Padre Pietro de Ischitella perde a consciência e falece no dia 23 de fevereiro de 1924, com apenas 44 anos de idade.
A sua morte repentina causou grande comoção no convento. Consternado, Padre Pio escreveu ao vigário, Padre Luigi d'Avellino, expressando o seu luto profundo: "A partida do caríssimo padre provincial lançou na dor aguda toda a minha alma. Console-nos o pensamento de que ele, do céu, continua a ajudar-nos com as suas orações junto do Senhor."