Padre Eusebio Notte

Conheça Padre Eusebio Notte, o frade que, segundo o próprio mestre, teria se tornado um "delinquente" se não fosse a vocação religiosa, e que acabou recebendo a honra de ouvir a confissão do santo.

Temendo ser expulso do confessionário por Padre Pio, Eusebio comportou-se feito um anjo por 15 dias. Ao confessar-se, ouviu do santo que, se não fosse a vocação, ele teria virado um marginal.


Ao ouvir a confissão de Padre Pio, Padre Eusebio Notte ficou perplexo ao ver o santo chorar compulsivamente. O estigmatizado soluçava não por faltas graves, mas por sentir que estava "traindo o amor" de Deus por não fazer o suficiente por Ele.


Padre Eusebio Notte de Castelpetroso dedicou anos cruciais de sua vida ao serviço direto de São Pio, atuando como seu assistente pessoal entre 1962 e 1967. Tendo vestido o hábito capuchinho em 18 de julho de 1950, professado os votos perpétuos em 1954 e recebido a ordenação sacerdotal em 21 de julho de 1957, ele possuía um diferencial valioso para a província: havia estudado na Inglaterra e na Irlanda.

Por isso, os superiores confiaram-lhe a colossal missão de gerenciar toda a correspondência de Padre Pio no idioma inglês. Nos primeiros dias, o jovem frade quase se desesperou ao ver que precisaria lidar com uma média de mais de mil cartas por semana, mas logo organizou um sistema eficiente. Cartas com pedidos simples recebiam uma resposta impressa com a bênção do santo; para os casos mais graves, ele consultava diretamente Padre Pio, que costumava orientar: "Responde que devemos rezar juntos, para que o Senhor o ilumine a tomar a decisão certa".

A relação entre Padre Eusebio e o estigmatizado era permeada por um humor peculiar e profundo respeito. Em 2007, ao celebrar o seu 50º aniversário de sacerdócio, ele lançou o livro autobiográfico Padre Pio e Padre Eusebio, no qual imortalizou os bastidores dessa convivência. Um dos episódios mais marcantes de sua juventude ocorreu quando ele, recém-chegado da Inglaterra, queria se confessar com o santo. Ao ver Padre Pio expulsar frades e padres da sacristia sem absolvição, Eusebio ficou apavorado.

Para não passar vergonha, confessou-se com outro confrade e passou os 15 dias seguintes comportando-se literalmente como "um anjinho", não por temor a Deus, mas por medo do escrutínio de Padre Pio. Quando finalmente criou coragem e se ajoelhou diante do santo com poucos pecados a declarar, ouviu uma repreensão inesperada: Padre Pio alertou que ele deveria agradecer a Deus todos os dias por ter se tornado frade, pois, caso contrário, teria se tornado um "delinquente".

A suprema ironia divina reservava um papel grandioso para esse "delinquente" salvo pela vocação. Quando o confessor oficial do convento precisou ser internado na Casa Sollievo della Sofferenza, foi o próprio Padre Pio quem pediu a Padre Eusebio que ouvisse a sua confissão.

Aterrorizado e suando frio, o jovem frade preparou-se para lidar com problemas místicos insondáveis, mas o que encontrou foi um santo em prantos, soluçando compulsivamente não por transgressões graves, mas por sentir que não amava a Deus o suficiente.

Após uma vida dedicada à memória do seu pai espiritual, palestrando em grupos de oração e celebrando a fé, Padre Eusebio sofreu um AVC em 2014, o que o forçou a se recolher na enfermaria dos capuchinhos em San Giovanni Rotondo, onde permaneceu até os seus últimos dias.