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Padre Bernardo d'Alpicella

Nos seus relatórios oficiais, o Provincial atestava o fervor assombroso de Padre Pio, destacando que o santo passava o dia em oração e ficava mais de uma hora em ação de graças após a Missa.

Para evitar a distribuição de relíquias, Padre Bernardo decretou que qualquer sacerdote pego doando os panos com o sangue dos estigmas de Padre Pio perderia o direito de exercer o seu ministério.
Padre Bernardo d'Alpicella, nascido Antonio Mazza no dia 27 de maio de 1883, foi a figura central na administração da província capuchinha de Foggia durante um dos períodos mais complexos e vigiados da vida de São Pio de Pietrelcina. Tendo assumido o cargo de Ministro Provincial em 1924, ele governou ininterruptamente até o dia de sua morte, em 31 de dezembro de 1937. Esses treze anos de liderança colocaram Padre Bernardo em uma posição delicada: ele precisava equilibrar a sua profunda admiração pessoal pela santidade do confrade com as severas exigências e proibições impostas pelo Santo Ofício.
Na sua intimidade e nos seus deveres burocráticos internos, Padre Bernardo era um grande defensor do estigmatizado. Nos relatórios bimestrais que enviava aos seus superiores maiores, ele redigia elogios eloquentes sobre a vida de Padre Pio. Em novembro de 1930, por exemplo, ele atestou com fascínio que o santo passava o dia inteiro em contínua oração mental, dedicava horas às confissões e permanecia no coro até tarde da noite. O Provincial destacava especialmente o assombroso recolhimento de Padre Pio ao celebrar a Missa, revelando que a sua preparação e a sua ação de graças duravam mais de uma hora.
No entanto, o clima de suspeita imposto por Roma obrigava Padre Bernardo a agir com mãos de ferro contra qualquer traço de veneração popular. Em 29 de agosto de 1936, ele enviou uma ordem incisiva ao superior de San Giovanni Rotondo proibindo que qualquer "burguês" (civil) entrasse na cela de Padre Pio. A ordem mais dura, porém, dizia respeito aos panos usados para estancar o sangue dos estigmas: eles deveriam ser trancados a chave pelo próprio santo imediatamente após o uso. Qualquer sacerdote que ousasse distribuir esses panos como relíquia seria punido com a suspensão a divinis (proibição de exercer o sacerdócio), e qualquer irmão leigo que o fizesse seria proibido de receber a comunhão.
Foi sob essa pesada cruz de restrições burocráticas e suspeitas que Padre Pio viveu os anos sob o governo de Padre Bernardo. O santo, contudo, suportava tudo sem rancor, confessando que desejava apenas ter a consciência limpa diante de Deus, chegando a rezar continuamente pela conversão de seus acusadores.
Padre Bernardo d'Alpicella faleceu na véspera do Ano Novo de 1937, deixando o legado de um administrador que, apesar de forçado a aplicar leis implacáveis, soube reconhecer e registrar para a história a santidade incomparável do seu confrade.