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Padre Carmelo de San Giovanni in Galdo

Foi Padre Carmelo quem documentou oficialmente e testemunhou, em primeira mão, que as feridas de Padre Pio cicatrizaram e desapareceram misteriosamente da pele do santo horas antes do seu falecimento.

Ele foi o grande elo diplomático entre o convento e o Vaticano na fase terminal de Padre Pio, redigindo correspondências cruciais às autoridades supremas da Igreja para administrar a enorme tensão que cercava a morte iminente do frade.
Padre Carmelo de San Giovanni in Galdo, nascido Giuseppe Di Donato em 16 de outubro de 1927, assumiu uma das missões mais delicadas e históricas da Ordem Capuchinha: ser o último superior de Padre Pio de Pietrelcina. Ordenado sacerdote em 24 de fevereiro de 1951, ele possuía uma bagagem intelectual robusta, tendo conquistado a licença em Teologia Dogmática pela prestigiada Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Essa sólida formação teológica forneceu-lhe a diplomacia e a precisão necessárias para governar o convento e dialogar com a alta hierarquia da Igreja.
Em 23 de janeiro de 1964, Padre Carmelo tomou posse como líder da comunidade religiosa de San Giovanni Rotondo, cargo que exerceria até 20 de janeiro de 1969. Ao assumir a função, ele já nutria um sincero amor filial e um respeito profundo pelo Santo do Gargano. A sua gestão de cinco anos abrangeu exatamente o crepúsculo da existência terrena do místico.
Como testemunha ocular privilegiada daquele período terminal, coube a Padre Carmelo amparar o velho frade esgotado pelo peso dos anos e dos sofrimentos físicos, guiando a fraternidade durante os tensos e emocionantes dias de setembro de 1968.
O legado histórico deixado por este superior é de incalculável valor para os devotos e estudiosos. Foi Padre Carmelo quem redigiu numerosas e detalhadas relações oficiais sobre as virtudes do venerável confrade, os emocionantes momentos do seu "trânsito" (como a Igreja chama o falecimento de um santo) e o fenômeno inexplicável do desaparecimento dos estigmas, que se apagaram completamente do corpo de Padre Pio pouco antes de sua morte. Além dos relatos místicos, os seus arquivos revelaram preciosas cartas documentando os complexos problemas institucionais que ele precisou tratar diretamente com as supremas autoridades do Vaticano em nome do convento.
Pouco tempo depois de concluir o seu mandato e de ter cumprido a missão de entregar o seu administrado mais ilustre aos braços de Deus, o próprio Padre Carmelo encerrou a sua jornada. Ele faleceu de forma precoce aos 43 anos, na mesma San Giovanni Rotondo, no dia 13 de junho de 1971, imortalizando-se como o guardião dos últimos suspiros e segredos do maior místico do século XX.