O Defensor do Taumaturgo: A História de Sangue e Fé de Emmanuele Brunatto

Microfones ocultos, falsas acusações e decretos severos tentaram parar o santo, mas o amor de um filho espiritual ergueu-se como um escudo contra o mal. Emmanuele Brunatto expôs a hipocrisia dos adversários e defendeu a obra do hospital, deixando um legado eterno de amor à justiça e profunda reverência a São Pio.

Emmanuele Brunatto desde jovem defendeu Padre Pio contra algumas "víboras" que permeavam dentro da santa igreja da época e que queriam calar o santo!


O livro branco entitulado "GLI ANTICRISTI NELLA CHIESA DI CRISTO" veio como uma bomba e fez o Santo Ofício voltar atrás dos castigos impostos injustamente ao santo.


Emannuelle Brunatto foi encontrado morto dentro de sua casa com alguns documentos importantes e muitos estudiosos até hoje em dia questionam se sua morte foi realmente de causas naturais ou se foi uma "queima de arquivo" por ter batido de frente com poderosos da igreja.


Antes de 1919, a região do Gargano, onde se ergue a pitoresca San Giovanni Rotondo, era um refúgio de paz. Um local onde a rudeza da natureza e a pureza do silêncio se encontravam, longe dos ruídos e da agitação do mundo moderno. Contudo, a partir de maio daquele ano, a tranquilidade do rochedo foi rompida. Multidões de fiéis, vindos de todos os cantos, começaram a subir a montanha. Não buscavam paisagens, mas buscavam a Deus através de um homem. Queriam ver il santo — o frade capuchinho Francesco Forgione, mundialmente conhecido como Padre Pio, que lia corações, operava milagres e portava em sua própria carne os dolorosos sinais da Paixão de Cristo.


Entre as muitas almas tocadas por essa torrente de graças, destaca-se a impressionante conversão de um próspero empresário: Emmanuele Brunatto.


Da Vida Dissoluta à Entrega Total

Nascido em Turim, em 9 de setembro de 1892, Brunatto trilhava os caminhos do mundo e da perdição. Sua vida mudou quando, em 1919, leu em um jornal sobre a existência do frade estigmatizado. Movido inicialmente por pura curiosidade — e impulsionado por uma severa ruína financeira —, decidiu viajar para conhecê-lo no ano seguinte.


O que se sucedeu foi um verdadeiro prodígio da graça. Aos 28 anos, após uma confissão transformadora com o Santo, Emmanuele converteu-se de forma tão radical que recebeu permissão para residir no próprio convento dos capuchinhos. Ali, passaria a servir e proteger aquele a quem, para sempre, chamaria de pai espiritual.


A Sombra da Calúnia e da Perseguição

Enquanto o povo simples afluía com devoção, as trevas da inveja se levantavam. O Arcebispo de Manfredonia, Dom Pasquale Gagliardi, e alguns cônegos locais, incomodados com a fama de Padre Pio, começaram a espalhar calúnias terríveis.


A situação agravou-se com a visita do Pe. Agostino Gemelli, em 1920. Por não possuir a autorização formal do Santo Ofício exigida na época, o Padre Pio, em santa obediência, não pôde exibir-lhe os estigmas. Ferido em seu orgulho, Gemelli passou a difamar o santo, afirmando publicamente que as chagas eram fruto de automutilação.


Com a eleição do Papa Pio XI em 1922 — amigo pessoal de Gemelli —, a tempestade desabou. Em 1923, o Vaticano emitiu uma severa condenação, tentando transferir Padre Pio de San Giovanni Rotondo. A tentativa só não se concretizou pela resistência fervorosa da população local, que impediu a remoção de seu amado santo.


A Resistência do Filho Espiritual

Diante da flagrante injustiça, Brunatto não cruzou os braços. Iniciou uma investigação profunda sobre a vida moral (nada exemplar) dos perseguidores de Padre Pio. Com o apoio de figuras ilustres como São Luís Orione e os Cardeais Pietro Gasparri e Merry del Val, ele buscou a justiça em Roma.


Percebendo que a hostilidade era vasta, Brunatto adotou medidas radicais. Em 1926, publicou o livro Padre Pio de Pietrelcina. Embora a obra tenha sido logo censurada, surtiu o efeito desejado: o envio de um visitador apostólico que resultou na posterior destituição de Dom Gagliardi.


Quando novas restrições proibiram Padre Pio de celebrar missas em público, o incansável defensor decidiu ir até o fim. Em 1932, lançou um verdadeiro "livro-bomba": Os anticristos na Igreja de Cristo, onde expunha a imoralidade de altos dignitários que perseguiam o santo. O impacto foi esmagador. Em 14 de julho de 1933, o Santo Ofício restituiu a liberdade a Padre Pio, algo inédito na história da Igreja.


Cronologia da perseguição de Padre Pio

Para compreender a magnitude desta batalha espiritual, observe os marcos da luta travada por Brunatto e Padre Pio:


1919: A fama de santidade de Padre Pio atrai multidões a San Giovanni Rotondo. Incomodados com a situação, o Arcebispo de Manfredonia, Dom Pasquale Gagliardi, e alguns cônegos locais começam a espalhar graves calúnias contra o frade.


1920: O Pe. Agostino Gemelli visita o convento para examinar os estigmas. Em santa obediência, por faltar autorização oficial do Santo Ofício, Padre Pio não lhe mostra as chagas. Inconformado, Gemelli passa a difamar o santo publicamente, alegando que as feridas eram autolesões.


1922: O Papa Pio XI (amigo pessoal de Gemelli) assume o pontificado. Em menos de três meses, o Santo Ofício coloca Padre Pio sob estrita observação.


Maio de 1923: O Vaticano publica uma severa condenação e tenta transferir o Padre Pio para outro convento. A medida fracassa devido à forte pressão e resistência da população local.


21 de abril de 1926: Emmanuele Brunatto publica o livro Padre Pio de Pietrelcina, expondo a imoralidade dos caluniadores. Embora a obra seja rapidamente condenada, ela força o envio de um visitador apostólico e leva, mais tarde, à destituição de Dom Gagliardi.


1932: Após retaliações que proibiram Padre Pio de celebrar missas em público, Brunatto publica o "livro-bomba" Os anticristos na Igreja de Cristo, denunciando abertamente os inimigos do santo e autoridades corrompidas.


14 de julho de 1933: Devido à imensa pressão das denúncias de Brunatto, Padre Pio é libertado de suas restrições. O Papa Pio XI afirma ter sido a primeira vez na História da Igreja que o Santo Ofício voltou atrás em seus decretos.


1960: Inicia-se uma nova onda de perseguições. Após confrades desviarem doações, o Papa João XXIII autoriza uma visita apostólica.


Julho a Outubro de 1960: Mons. Carlo Maccari conduz uma investigação hostil. Ocorrem sacrilégios graves, como a instalação de microfones ocultos na cela e no confessionário de Padre Pio. Novas condenações são emitidas, e o santo é forçado a assinar um documento abrindo mão de seu hospital (Casa Sollievo della Sofferenza).


1964: Após a ameaça de Brunatto de publicar um Livro branco com provas documentais da perseguição e o envio de cópias a líderes mundiais, o recém-eleito Papa Paulo VI toma a iniciativa de devolver a liberdade ao santo capuchinho.


Fevereiro de 1965: Emmanuele Brunatto é encontrado morto em sua casa sob circunstâncias misteriosas (com suspeitas de envenenamento), selando com a própria vida a defesa de seu pai espiritual.


O Sacrilégio e o "Livro Branco"

Por quase três décadas, o santo capuchinho pôde exercer seu ministério em paz. Com as abundantes doações dos fiéis e a doação de terras feita pelo próprio Brunatto, ergueu-se o monumental hospital Casa Sollievo della Sofferenza.


Contudo, na década de 1960, a inveja ressurgiu. Acusações de má gestão financeira (causadas por desvios de alguns de seus próprios confrades) levaram a novas visitas apostólicas. O absurdo chegou ao ápice quando microfones ocultos foram instalados na cela e até no confessionário do santo — um sacrilégio abominável justificado por falsas ordens superiores.


O visitador Mons. Carlo Maccari e seu auxiliar conduziram um inquérito parcial e desrespeitoso, resultando em novas medidas restritivas que tentavam, inclusive, arrancar de Padre Pio o controle de seu amado hospital.


Brunatto, arriscando mais uma vez a própria vida, interveio. Ameaçou expor a "cabala infernal" revelando os escândalos dos opositores através de seu compilado definitivo, o Livro branco. O acordo proposto pelo Vaticano foi descumprido e Padre Pio foi forçado a assinar a transferência do hospital.


O Preço da Fidelidade

Diante da traição, Brunatto enviou cópias de seu dossiê à ONU, ao presidente italiano e ao recém-eleito Papa Paulo VI, que, compreendendo a santidade do frade, ordenou a sua libertação em 1964.


O preço dessa guerra, no entanto, foi cobrado. Na trágica noite de 9 para 10 de fevereiro de 1965, Emmanuele Brunatto foi encontrado morto em sua casa. Embora a versão oficial alegasse um infarto, as suspeitas de envenenamento (possivelmente por estricnina em seu jantar) nunca foram totalmente dissipadas.


O ódio dirigido a Brunatto era, no fundo, o mesmo ódio dirigido a Padre Pio, pois ambos defendiam as verdades de Cristo contra os filhos das trevas. A Providência Divina nos ensina que a Igreja sempre precisará de homens com a bravura de Brunatto — almas dispostas a perder tudo na terra para garantir que a luz da santidade nunca seja sufocada pela iniquidade.