Padre Agostino de San Marco In Lamis

Ele acompanhou de perto cada passo crucial da juventude de São Pio: da misteriosa permanência em Pietrelcina até o assombroso dom da transverberação. Conheça a vida de Padre Agostino, o frade que, além de guiar a alma de Padre Pio, registrou em detalhes inéditos os embates diabólicos do santo.

Foi graças à sua diligência que o primeiro volume do célebre "Epistolário" do santo tomou forma.

Sem seus escritos fieis, o mundo jamais conheceria a verdadeira profundidade da alma de Padre Pio.


Desde o início que conheceu Padre Pio, Padre Agostino registrou detalhes impressionantes: relatou como o demônio aparecia nas vestes de um carrasco que o flagelava, ou assumia formas horrendas acompanhado por um exército de espíritos infernais atrás de Padre Pio.


Se Padre Benedetto foi a âncora de Padre Pio nos mares do escrúpulo, Padre Agostino de San Marco in Lamis foi, sem dúvida, o seu "anjo consolador" e a testemunha ocular dos maiores abismos e glórias de sua alma. Nascido Michele Daniele em 9 de janeiro de 1880, ele vestiu o hábito capuchinho em 19 de agosto de 1897 e foi ordenado sacerdote em 15 de março de 1903.


O entrelaçamento de sua vida com a do Santo do Gargano começou cedo, em 1907, na cidade de Serracapriola, quando teve o jovem frade como seu discípulo. A partir de então, Padre Agostino acompanhou cada passo crucial da jornada de Padre Pio: esteve ao seu lado quando uma misteriosa doença o forçou a retornar a Pietrelcina, presenciou sua ordenação sacerdotal e teve a honra de proferir a homilia da primeira missa solene do santo em sua terra natal.


Foi em Venafro, no entanto, que Padre Agostino deparou-se de forma assombrosa com o sobrenatural que cercava seu dirigido. Ele foi testemunha direta das terríveis agressões diabólicas e das estases celestiais que arrebatavam o corpo e o espírito de Padre Pio. Em seu precioso Diário, Padre Agostino registrou detalhes impressionantes: relatou como o demônio aparecia nas vestes de um carrasco que o flagelava, ou assumia formas horrendas acompanhado por um exército de espíritos infernais que, em meio a ruídos ensurdecedores, cuspiam no rosto do frade. Esses ataques duravam no máximo quinze minutos e eram, invariavelmente, seguidos por aparições de Jesus, da Virgem Maria, do Anjo da Guarda e de São Francisco. Agostino anotava fielmente tudo o que via e ouvia enquanto Padre Pio dialogava com o "Invisível".


A proximidade entre os dois era tão grande que Padre Pio confiava a ele os segredos mais íntimos de sua cruz. Durante os longos anos da doença inexplicável que o reteve em Pietrelcina, o próprio Padre Pio admitiu que não podia revelar a razão de seu exílio, dizendo: "Padre, não posso dizer a razão pela qual o Senhor me quis em Pietrelcina; faltaria com a caridade". Diante disso, Padre Agostino limitou-se a registrar: "A doença era misteriosa, assim como misteriosa era a permanência em Pietrelcina".


O papel de Padre Agostino como diretor espiritual alcançou seu ápice nos dias de maior terror e graça na vida do estigmatizado. Entre 5 e 6 de agosto de 1918, Padre Pio viveu um período de "superlativo martírio", recebendo o dom místico da transverberação (a ferida espiritual no coração). Sentindo-se perdido e confuso, o humilde frade acreditou que o fenômeno doloroso fosse um castigo divino. Coube a Padre Agostino dissipar as trevas do medo. Em uma carta datada de 24 de agosto de 1918, ele trouxe o conforto e a luz da verdade, escrevendo: "Jesus, desde a noite do dia 5 até a manhã de 6 de agosto, deu-lhe mais uma prova de Seu amor especial. A ferida espiritual daquele personagem celeste é o penhor do amor de Deus por você".


Além de seu papel fundamental na vida do santo, Padre Agostino foi um líder de imenso prestígio dentro da Ordem Capuchinha, sendo eleito Ministro Provincial por três vezes (1938, 1941 e 1956). Faleceu em 14 de maio de 1963, deixando para a posteridade não apenas o primeiro volume do "Epistolário" de Padre Pio — repleto de suas trocas de cartas —, mas também um Diário com informações inéditas que documentam, para sempre, a verdadeira dimensão da santidade e do calvário de seu filho espiritual.