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Padre Ignazio de Jelsi

Para transferir Padre Pio escondido da multidão, sugeriram a Padre Ignazio um plano absurdo: transportá-lo dentro de um barril de vinho vazio. Indignado com o desrespeito, o superior recusou a ideia imediatamente.

O superior documentou no seu diário um feito impressionante: em uma única Quinta-feira Santa, Padre Pio confessou 350 homens e deu comunhão a 700 pessoas, demonstrando uma resistência impossível de manter sem ajuda divina.
Padre Ignazio de Jelsi, nascido Salvatore Testa em 30 de janeiro de 1882, assumiu o governo do convento de San Giovanni Rotondo em um dos momentos mais sombrios e tempestuosos para a fraternidade. Entre 10 de setembro de 1922 e 25 de agosto de 1925, ele foi o superior local exatamente quando as pesadas e repentinas ordens do Santo Ofício (Vaticano) começaram a chegar, exigindo severas restrições e até a transferência de Padre Pio.
Homem de temperamento descrito por seus contemporâneos como frio, calculista e meticuloso, Padre Ignazio revelou-se o juiz imparcial perfeito para aquele momento histórico.
Enquanto todos à sua volta entravam em pânico com as diretrizes de Roma, ele observava, com crescente admiração, a absoluta tranquilidade do Santo do Gargano. Quando o vigário provincial, Padre Luigi d'Avellino, precisou comunicar a Padre Pio uma ordem de transferência (que acabou sendo suspensa), Padre Ignazio registrou que o estigmatizado não se perturbou, afirmando estar pronto para fazer a vontade dos superiores, pedindo apenas para permanecer em um convento de sua província-mãe.
Para preservar a memória daquela época tensa, Padre Ignazio escreveu um diário riquíssimo em detalhes. Seus escritos desmentiam as suspeitas de Roma, documentando a exaustiva dedicação de Padre Pio ao confessionário. O superior anotava com precisão matemática o fluxo de milhares de fiéis, ressaltando que, mesmo doente e indisposto, o frade ouvia as misérias alheias o dia todo com uma "paciência de santo", algo impossível de suportar apenas com forças humanas.
Além de cronista rigoroso, Padre Ignazio foi um escudo protetor contra o absurdo. Ele rechaçou indignado propostas esdrúxulas para afastar o estigmatizado e sofreu junto com a província o peso da perseguição, que chegou a custar a vida do então Ministro Provincial, Padre Pietro de Ischitella, morto prematuramente devido ao estresse inaudito gerado pelo caso de Padre Pio. Após uma vida de retidão e lealdade à Ordem, Padre Ignazio faleceu no dia 18 de julho de 1961.