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Padre Plácido de San Marco in Lamis

A amizade entre os dois era tão forte que, em um sonho, o recém-falecido Padre Pio avisou a Padre Plácido: "Você não verá o fim deste ano". A profecia se cumpriu de forma comovente, e o frade faleceu no Natal de 1968, apenas três meses após Padre Pio.

Para tirar a primeira foto dos estigmas em 1919, Padre Plácido fingiu que era uma ordem dos superiores. Os negativos originais se quebraram, mas ele havia guardado uma cópia secreta, salvando o registro histórico para a posteridade.
Padre Plácido de San Marco in Lamis, nascido Ferdinando Bux em 23 de fevereiro de 1886, construiu com o Santo do Gargano uma das amizades mais belas e duradouras da Ordem Capuchinha. Companheiros de estudos desde os anos de formação no seminário, os dois forjaram uma irmandade espiritual tão profunda que acompanhou cada passo de suas vidas — e encontrou seu desfecho em uma impressionante profecia celestial.
Foi a audácia e o amor de Padre Plácido que garantiram à história a primeira fotografia oficial das chagas de Padre Pio. Em 19 de agosto de 1919, ao retornar do serviço militar em Florença, ele decidiu que o mundo precisava de um registro visual do milagre. Sabendo que o amigo recusaria por profunda humildade, Padre Plácido recorreu a um estratagema: alegou que estava agindo sob "santa obediência" por ordens do Ministro Provincial. Constrangido e mortificado, Padre Pio retirou as luvas e permitiu o clique. As chapas fotográficas enviadas para revelação em Foggia acabaram se quebrando, mas o registro não se perdeu porque Padre Plácido, providencialmente, havia guardado uma cópia secreta consigo.
Além de fotógrafo improvisado, ele foi uma testemunha fundamental da veracidade dos estigmas. Quando o cético Dr. Bignami tentou provar que as feridas eram mantidas artificialmente e mandou selá-las com curativos por quinze dias, Padre Plácido foi um dos quatro frades "fiscalizadores". Ele registrou em seus escritos que, contra as expectativas médicas, "nunca aquelas chagas derramaram tanto sangue", derrubando as teorias naturalistas de Bignami. Plácido também documentou o assombroso fluxo de peregrinos em San Giovanni Rotondo, relatando as multidões que dormiam na terra nua e nos penhascos apenas para ver o estigmatizado.
A união entre os dois frades superou até mesmo a barreira da morte. Em setembro de 1968, a partida de São Pio deixou Padre Plácido profundamente abalado. Pouco tempo depois, ele confidenciou ao Padre Alberto D’Apolito um sonho inquietante: Padre Pio lhe aparecera dizendo para se preparar, pois se juntariam em breve. Ao perguntar se isso levaria alguns anos, o santo foi categórico: "Não. Você não verá o fim deste ano". A profecia se cumpriu com exatidão milimétrica. Apenas três meses após a morte do amigo, no dia de Natal de 1968, Padre Plácido entregou sua alma a Deus, reunindo-se ao seu irmão espiritual na eternidade.