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Frei Daniele Natale

Após a morte do Santo do Gargano, Frei Daniele assumiu uma missão especial confiada pelo próprio Padre Pio em vida: percorrer cidades da Itália e de toda a Europa para espalhar seus ensinamentos, relatos de milagres e o amor à Virgem Maria.

Declarado morto na mesa de cirurgia, Frei Daniele conheceu o Purgatório e retornou à vida a pedido de Padre Pio. O milagre causou espanto na clínica e converteu o médico que atestara sua morte.
Frei Daniele Natale, batizado com o nome de Michele, nasceu em 11 de março de 1919 na mesma cidade em que a santidade de Padre Pio floresceria: San Giovanni Rotondo. Filho de Berardino e Angela Maria De Bonis, ele foi o quarto de sete filhos em uma família cuja infância foi duramente marcada pelas consequências desastrosas deixadas pela Primeira Guerra Mundial. Atendendo ao chamado religioso, ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1933. Sua profissão perpétua ocorreu no domingo de Pentecostes, em 12 de maio de 1940, no Mosteiro de Sant'Egidio, em Montefusco.
A ligação entre ele e o Santo do Gargano foi excepcionalmente profunda. A pedido do próprio Padre Pio de Pietrelcina, Frei Daniele tornou-se o seu filho espiritual. Com o santo estigmatizado, o jovem frade aprendeu a viver o mistério do sofrimento e da doença não como infortúnios, mas como um meio de purificação e santificação. No convento, assumiu os serviços mais humildes, trabalhando como porteiro, cozinheiro e sacristão com total dedicação. Além disso, pedia esmolas de porta em porta e fazia as compras diárias para os frades. Sua impressionante caridade foi colocada à prova durante a Segunda Guerra Mundial em Foggia, onde se destacou no amparo aos feridos, deslocados, vítimas e famílias afetadas pelos bombardeios.
Logo após a guerra, a fé de Frei Daniele enfrentou um de seus maiores testes: ele foi diagnosticado com um tumor incurável no aparelho digestivo. Acreditando na iminência da morte, ele procurou Padre Pio, que, com firmeza inabalável, ordenou-lhe que fosse a Roma para ser operado na clínica Regina Elena pelo cirurgião Ricardo Moretti. Padre Pio consolou-o e prometeu que estaria sempre com ele. Durante a viagem de trem para a capital, o frade sentiu uma presença misteriosa ao seu lado, confirmando a promessa de seu pai espiritual.
Na mesa de cirurgia, Frei Daniele entregou seu espírito a Deus repetindo as palavras de Cristo na cruz. Ele então entrou em um estado que o fez passar três dias em coma e, segundo os relatos da clínica, falecer. O que se seguiu foi uma experiência mística assombrosa. Ele se apresentou diante do Trono de Deus, experimentando o afeto de um Pai amoroso, mas percebendo o quanto havia negligenciado esse imenso amor divino. Foi condenado a duas ou três horas de Purgatório, principalmente por ter faltado com o voto de pobreza ao reter algumas liras do troco das compras do convento para despesas pessoais e doações. No Purgatório, ele experimentou dores terríveis e o indescritível sofrimento de estar afastado de Deus. Embora não tivesse corpo físico, sentia como se tivesse, e o tempo transcorria como uma eternidade torturante. Desesperado, suplicou a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria e apelou às chagas de Padre Pio. Nossa Senhora das Graças apareceu-lhe sorrindo e concedeu a graça que ele implorava: retornar à terra para viver apenas por amor a Deus, cumprindo seu purgatório em vida.
O retorno de Frei Daniele ao próprio corpo gerou pânico absoluto na clínica. Os que o assistiam fugiram espantados ao ver o "morto" retirar o manto que o cobria e sentar-se. O médico que atestara o óbito — um homem de pouca ou nenhuma fé que passara a noite em claro com pesadelos — converteu-se em lágrimas ao ver Frei Daniele vivo e demonstrando dons de clarividência, descrevendo com precisão os movimentos que o doutor fizera antes de entrar no quarto.
Após o falecimento de seu pai espiritual, Frei Daniele recebeu o mandato do próprio Padre Pio para se tornar um apóstolo de sua mensagem, peregrinando incansavelmente pela Itália e pela Europa. Ele morreu em San Giovanni Rotondo no dia 6 de julho de 1994. A sua fama de santidade foi reconhecida: em 8 de março de 2012, o arcebispo Michele Castoro abriu seu processo diocesano de canonização, tornando-o Servo de Deus. Em 10 de outubro de 2015, seu corpo foi trasladado para a Igreja-Conventual de Santa Maria das Graças, onde descansa como um testemunho inegável do amor divino.