Padre Alberto D’Apolito

Nascido em San Giovanni Rotondo e companheiro de longa data do Santo do Gargano, ele presenciou em primeira mão os mais impressionantes dons místicos do estigmatizado.

Em 1928, ele testemunhou Padre Pio em transe pronunciando a fórmula da confissão. A prova veio em seguida: um telegrama de Turim agradecendo a presença do santo no leito de morte de um homem na mesma hora.


Ao conversar com a mística Madre Speranza, o biógrafo descobriu que ela encontrava Padre Pio diariamente em Roma, no Vaticano, durante os anos 1930, período em que o santo nunca saiu fisicamente do próprio convento.


Padre Alberto D'Apolito, nascido em 1905 na própria San Giovanni Rotondo, dedicou quase um século de vida à Ordem Capuchinha e tornou-se uma das testemunhas oculares mais longevas e essenciais dos mistérios que cercavam São Pio de Pietrelcina. A sua profunda experiência com o sobrenatural começou em 1928, quando ainda era um jovem seminarista. Ao avistar Padre Pio olhando fixamente para as montanhas pela janela do convento, Alberto tentou cumprimentá-lo, mas notou que o mestre estava em um transe profundo, com as mãos rígidas, pronunciando em latim a fórmula do sacramento da confissão: "Ego te absolvo a peccatis tuis".

O superior do convento, Padre Tommaso, foi chamado a tempo de ver o santo despertar subitamente, como se saísse de um sono profundo. A confirmação do prodígio chegou logo a seguir: um telegrama vindo de Turim agradecia aos frades por terem permitido que Padre Pio assistisse um homem em seu leito de morte. Naquele exato momento, o santo estivera em bilocação.

A relação espiritual entre os dois estendeu-se por décadas, permeada por manifestações sobrenaturais. Em setembro de 1955, quando atuava como pároco em San Severo, Padre Alberto liderou uma peregrinação de cinquenta fiéis a Siracusa e pediu a bênção de Padre Pio, que lhe prometeu: "Ide, que eu vos seguirei". A viagem foi caótica: os peregrinos sofreram de dores abdominais após comerem melões quentes pelo sol e tiveram o ônibus bloqueado em uma estrada deserta perto de Palermo no meio da noite.

Aterrados, começaram a rezar e foram subitamente envolvidos pelo inconfundível perfume do santo. Ao retornarem ao convento, antes mesmo que Alberto pudesse relatar os infortúnios, Padre Pio os recebeu rindo, descrevendo o episódio dos melões e o pânico noturno na estrada siciliana, provando que os acompanhara em espírito o tempo todo.

Como biógrafo meticuloso, Padre Alberto também recolheu testemunhos assombrosos de outras almas místicas. Em 1970, ele visitou a famosa Madre Speranza de Jesus, também estigmatizada.

Em um diálogo surpreendente, a religiosa afirmou que conversava diariamente com Padre Pio no Santo Ofício, em Roma, entre 1937 e 1939, vendo-o usar luvas sem dedos para esconder as chagas. Embora Padre Alberto soubesse que o santo nunca havia saído do convento nesse período, o relato confirmou a magnitude espantosa das bilocações do seu confrade. Para Padre Alberto, São Pio irradiava "o esplendor e a grandeza da santidade, a força potente da caridade, o fascínio irresistível da humanidade e a atração de Cristo crucificado".

Após uma vida longa e frutífera dedicada a registrar a história de seu grande amigo, o frade faleceu por causas naturais em 2003, aos 98 anos.